quarta-feira, 15 de julho de 2015

Dica de Leitura: [Relatos de um Peregrino Russo]



Escrito por um russo, anônimo, a Obra Relatos de um Peregrino Russo trata de um simples camponês que ao escutar, no ofício litúrgico, a recomendação do apóstolo Paulo à comunidade dos Tessalonicenses: “Rezai sem cessar” (I Ts 5,17) se interessa por conhecer a chamada Oração do Coração ou oração de Jesus.

Numa busca incansável parte em peregrinação e encontra muitas pessoas que o ajudam a entrar em si mesmo e encontrar sua paz e sua harmonia, a oração se torna essencial e o peregrino já não consegue viver sem ela, fazendo também com que todos que se aproximem queiram apaixonar-se por este modelo de oração.

Passa-se na Rússia, o que faz com que os relatos girem em torno a uma realidade católica ortodoxa e não romana. No entanto, a leitura deste livro vale a pena apesar de religião, crença ou filosofia de vida, levando em consideração o auge das filosofias sobre meditação, nirvana, o encontro consigo mesmo e os inúmeros benefícios para a saúde física e psíquica que esta [a meditação] nos oferece.

Recomendadíssimo. E caso alguém se interesse, abaixo segue o link onde poderão encontrar o livro para adquiri-lo, afinal, livro quando é bom, vale a pena ter o seu.



Junior Takanage
15.VII.2015

segunda-feira, 13 de julho de 2015

[De Rascunho e Nostalgia]


Fiquei dias, meses, sem me sentar e escrever palavras que brotassem do fundo do coração... Escrevi sim, ensaios religiosos, artigos científicos, mas deixei de lado os sonhos escabrosos de um coração que precisava se abrir e se rasgar em palavras pintadas de vermelho sangue e em letras marcadas com a palidez de um sem sentido que nasce ao deixar a arte motora da escrita de lado.

Sem isso, pensei fosse endoidecer...  sonhei mas me esqueci de anotar e nestas faltas, fui me perdendo de mim mesmo, deixando de realizar atos necessários para que eu pudesse respirar, sentir a calma, me lançar no colorido da vida que muito facilmente, se deixamos de admirar, se torna o preto e branco do antigo papel fotográfico que já não encontro nem mais na casa de minha avó.

Claro está, sem você não posso viver, meus sonhos se esvaem e minha mão já não desenha o mesmo colorido caminho dos sonhos poetizados pela beleza das palavras que aleatoriamente brotam de meus lábios, de meu coração e da ponta de um lápis afiado por um pobre apontador.

No fim, percebo que sem o mais pobre apontador e o rascunho que encontro jogado debaixo da cama não sou nada. Palavras, ah como eu as necessito e

as quero por perto. Sonhos, vocês só são possíveis porque eu consigo verbalizá-los no papel. Vida, só consigo torná-la bela se me sento a escrever.

Porque neste escrever eu me encontro com pessoas, sentimentos, mágoas, perdões, medos e magia, felicidade sem fim, que brota do puro descobrimento de algo que não é meu, mas que emana divinamente entre meus dedos e meu pensar: o eterno dom de escrever e amar.

Junior Takanage

13.VII.2015

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

[Natal: festa da humanidade de Deus e da comensalidade humana]


Verdadeiramente, eu nunca pensei postar algo deste autor, mas Deus muda o curso da história... E agora estou aqui, de coração aberto. 
"O Natal é repleto de significados. Um deles foi sequestrado pela cultura do consumo que, ao invés do Menino Jesus, prefere a figura do bom velhinho, o Papai Noel, porque é mais apelativo para os negócios. O Menino Jesus, ao invés, fala da criança interior que carregamos sempre dentro de nós, que sente necessidade de ser cuidada e quando, já crescida, tem o impulso de cuidar. É aquele pedaço do paraíso que não foi totalmente perdido, feito de inocência, de espontaneidadea, de encantamento, de jogo e de convivência com os outros sem qualquer discriminação..
Para os cristãos é a celebração da “proximidade e da humanidade” de nosso Deus, como se diz na epístola a Tito (3,4). Deus deixou-se apaixonar pelo ser humano que quis ser um deles. Como diz belamente Fernando Pessoa em seu poema sobre o Natal: “Ele é a eterna Criança, o Deus que faltava; ele é o divino que sorri e que brinca; a criança tão humana que é divina”.
Agora temos um Deus criança e não um Deus, juiz severo de nossos atos e da história humana. Que alegria interior sentimos quando pensamos que seremos julgado por um Deus criança. Mais que nos condenar, quer conviver e se entreter conosco eternamente.
O seu nascimento provocou uma comoção cósmica. Um texto da liturgia cristã diz de forma simbólica:”Então as folhas que farfalhavam, pararam como mortas; então o vento que sussurava, ficou parado no ar; então o galo que cantava, parou no meio de seu canto; então as águas do riacho que corriam, se estancaram; então, as ovelhas que pastavam, ficaram imóveis; então o pastor que erguia o cajado, ficou como que petrificado; então nesse momento, tudo parou, tudo silenciou, tudo suspendeu o seu curso: nasceu Jesus, o Salvador das gentes e do universo”.
O Natal é uma festa de luz, de fraternidade universal, festa da família reunida ao redor de uma mesa. Mais que comer, comunga-se da vida de uns e de outros e da generosidade dos frutos de nossa Mãe Terra e da arte culinária do trabalho humano.
Por um momento, esquecemos os afazeres cotidianos, o peso da existência trabalhosa, as tensões entre familiares e amigos e nos irmanamos na alegre comensalidade. Comensalidade significa comer juntos ao redor da mesma mesa (mensa) como se fazia outrora: todos da família se reuniam, conversavam, comiam e bebiam à mesa, pais, filhos e filhas.
A comensalidade é tão central que está ligada à própria emergência do ser humano enquanto humano. Há sete mihões de anos começou a separação lenta e progressiva entre os símios superiores e os humanos, a partir de um ancestral comum. A singularidade do ser humano, à diferença dos animais, é reunir os alimentos, distribui-los entre todos, começando pelos mais novos e pelos idosos e depois entre todos.
A comensalidade supõe a cooperação e a solidariedade de uns para com os outros. Foi ela que propiciou o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem, continua verdadeiro hoje. Por isso nos dói tanto ao saber que milhões e milhões não têm nada para repartir e passam fome.
No dia 11 de setembro de 2001 ocorreu a conhecida atrocidade: os aviões que se jogaram contra as Torres Gêmeas. No ato, morreram cerca de três mil pessoas.
No mesmo dia, exatamente, 16.400 crianças, abaixo de cinco anos, morriam de fome e de desnutrição. No dia seguinte e durante todo o an doze milhões de crianças foram vitimadas pela fome. E ninguém ficou e fica estarrecido diante desta catástrofe humana.
Neste Natal de alegria e de fraternidade não podemos esquecer esses que Jesus chamou de “meus irmãos e minhas irmãs menores”(Mt 25, 40) que não podem receber presentes nem comer qualquer coisa.
Mas não obstante este abatimento, celebremos e cantemos, cantemos e nos alegremos porque nunca mais estaremos sós. O Menino se chama Jesus, o Emanuel que quer dizer: “Deus conosco”. Vale esse pequeno verso que nos faz pensar sobre nossa compreensão de Deus, revelada no Natal:
Todo menino quer ser homem.
Todo homem quer ser rei.
Todo rei quer ser ‘deus’.
Só Deus quis ser menino”.
Feliz Festa de Natal do ano da graça de 2014."
Leonardo Boff
Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/

domingo, 30 de novembro de 2014

Um propósito de Natal


“Vou me escrevendo, vou voltando ao papel, caneta, expresso e luz tênue, vou sentindo que nesse barco ou nesse trem, ou onde melhor lhe convêm, não posso deixar de me recriar todos os dias, sonhando sonhos novos, alcançando sonhos velhos e mudando sonhos que não me levaram a nada.

Opiniões mudam a todo instante, princípios são caminhos eternos, luzes às vezes se escondem nas nuvens, nuvens se dissipam com o calor da luz do Sol interior que vem brotar em mim num advento de sonhos, reconstruções e direções certeiras para o coração daqueles que me cercam.


Aprendi com um tal Papa que a alegria é marca fundamental do meu eu, do meu eu que não é meu, mas nasceu para um tu e para uma vida pautada por recomeços e chances, para um perdão que se faz nada diante da misericórdia do Infinito, e nessa alegria vou sonhando e desejando, que como neste tal evangelho, eu possa surgir para aqueles que me são apresentados e encorajá-los: Alegrem-se.”


Junior Takanage

30.XI.2014

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