De repente a ideia
se acendeu: “você já pensou que tudo pode virar matéria?”.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
The Big Bang Theory - 10ª Temporada
segunda-feira, 9 de maio de 2016
Coisas Poéticas: [Ah... vida...]
A vida tem um
estranho costume
de me chamar de
volta a mim mesmo.
Ela chega de
mansinho,
me dá um cheirinho
daqui,
um sonho dali,
me coloca em
movimento.
De repente,
surpreendido,
percebo que estou,
como uma máquina
que não possui
botão de desligar
e tampouco freios
para desacelerar.
Ando em busca de
externalidades,
que frustram da
alegria, a veracidade.
No meu caminho,
não consigo me
deter.
Às vezes, sem me
dar conta
estou andando sem
ver,
sonhando sem dormir,
respirando sem
inspirar.
Mas aí ela chega de
mansinho,
de novo, sim...
Porque ela sempre
faz parecer
que tudo está
perfeito,
e de repente,
surpreendido,
de novo, sim...
me sinto inundado
por lágrimas,
por uma violência
suave,
mas que deixa seus
rastros,
aturdido com
barulhos e ruídos
que não são nada
mais
do que eu mesmo
precisando de mim.
Ah, vida!!! Como
sois bela!
Pena que tantas
vezes me esqueço,
e de novo eu me
entristeço,
porque no fim ou no
começo,
sonho, vivo e fujo
do meu lado avesso.
És profunda e tão
luminosa,
és amor que depende
de mim para ser amada,
és carregada de
cores e cheia de sabores,
mas que dependem de
mim,
do meu silêncio,
do meu espaço,
do meu amar-me,
para poder ser
sentida,
experimentada,
e novamente,
tão amada.
Junior
Takanage
09.V.2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Coisas Literárias: [O Nome de Deus é Misericórdia]

Já há algum tempo
que venho ensaiando para sentar-me frente ao computador e escrever um
pouco sobre este livro. Trata-se um pouco das minhas impressões para
com o mesmo e, por que não, uma indicação.
Em primeiro lugar
tratou-se de um livro que me fez chorar, e acredite, mesmo que eu
seja muito chorão eu não choro quando leio livros, mas este livro
me fez chorar; claro que não foi o livro todo, mas temas e momentos
específicos me identificaram, não pela minha pessoalidade, mas
especialmente pela manifestação da misericórdia, de perceber que
não sou eu que sou chamado a algo, mas que Deus, assim como o fez
com Mateus, “me olha com misericórdia” (cf. Mt. 9, 9-13),
apesar das minhas limitações e
fragilidades. No entanto, me tocou também em algo que mesmo que
tantas vezes é parte do meu discurso, muitas vezes está distante do
meu viver: a minha misericórdia para com o outro. Se sou olhado com
esta misericórdia, como não olhar para o outro, como não ter o
mesmo sentimento para com ele, como não amá-lo apesar de tudo?
Trata-se
de uma entrevista, e não de um texto corrido, e a verdade? Dá pra
ler muito rápido... é uma conversa gostosa, onde a autora, Andrea
Tornielli, recupera inclusive expressões gestuais e linguísticas do
Santo Padre, que tem claramente um bom acento argentino (sim, eu
gosto da Argentina e dos argentinos e não é só por causa do Papa).

Não
quero que essa afirmação soe como uma apreciação despectiva do
livro, mas é um livro que não traz uma novidade, ou melhor, não
deveria trazer uma novidade para aqueles que se dizem cristãos,
católicos ou simplesmente praticantes do Amor (caritas), pois fala
de uma atuação diária e que deveria ser intrínseca ao viver de
cada um de nós. No entanto, a NOVIDADE do livro é justamente chamar
a nossa atenção para isso... Mesmo sendo tão do cotidiano, tão
comum, e talvez por causa disso, muitas vezes nos faz não colocar
atenção.
Portanto,
vale a pena, vale a leitura, vale uma reflexão, vale deixar-nos
tocar por essas palavras tão belas e profundas, vale deixar-nos
interpelar para um anúncio que não é somente dos católicos, mas
de todos aqueles que querem construir um reino de Justiça, Paz,
Fraternidade e Igualdade.
Junior Takanage
22.II.2016
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Papa Francisco [Homilia de Abertura do Ano Extraordinário da Misericórdia]
Concisa e certeira, as palavras do Santo Padre chegam ao nosso coração e nos inspiram a viver profundamente o Ano Santo da Misericórdia. "Maria, Mãe da Misericórdia, volvei a nós estes vossos olhos misericordiosos."
"Daqui a pouco, terei a alegria de abrir a Porta Santa da Misericórdia. Este gesto, como fiz em Bangui, simples mas altamente simbólico, realizamo-lo à luz da Palavra de Deus escutada que põe em evidência a primazia da graça. Na verdade, o tema que mais vezes aflora nestas Leituras remete para aquela frase que o anjo Gabriel dirigiu a uma jovem mulher, surpresa e turbada, indicando o mistério que a iria envolver: «Salve, ó cheia de graça» (Lc 1, 28).
Antes de mais nada, a Virgem Maria é convidada a alegrar-Se com aquilo que o Senhor realizou n’Ela. A graça de Deus envolveu-A, tornando-A digna de ser mãe de Cristo. Quando Gabriel entra na sua casa, até o mistério mais profundo, que ultrapassa toda e qualquer capacidade da razão, se torna para Ela motivo de alegria, motivo de fé, motivo de abandono à palavra que Lhe é revelada. A plenitude da graça é capaz de transformar o coração, permitindo-lhe realizar um acto tão grande que muda a história da humanidade.
A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva. O início da história do pecado no Jardim do Éden encontra solução no projecto de um amor que salva. As palavras do Génesis levam-nos à experiência diária que descobrimos na nossa existência pessoal. Há sempre a tentação da desobediência, que se exprime no desejo de projectar a nossa vida independentemente da vontade de Deus. Esta é a inimizade que ameaça continuamente a vida dos homens, tentando contrapô-los ao desígnio de Deus. E todavia a própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa. O pecado só se entende sob esta luz. Se tudo permanecesse ligado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. Mas não! A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai. Sobre isto, não deixa qualquer dúvida a palavra de Deus que ouvimos. Diante de nós, temos a Virgem Imaculada como testemunha privilegiada desta promessa e do seu cumprimento.
Também este Ano Extraordinário é dom de graça. Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, é Ele que nos vem ao encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia. Que grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça, quando se afirma, em primeiro lugar, que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor, diversamente, que são perdoados pela sua misericórdia (cf. Santo Agostinho, De praedestinatione sanctorum 12, 24)! E assim é verdadeiramente. Devemos antepor a misericórdia ao julgamento e, em todo o caso, o julgamento de Deus será sempre feito à luz da sua misericórdia. Por isso, oxalá o cruzamento da Porta Santa nos faça sentir participantes deste mistério de amor, de ternura. Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma.
Hoje, aqui em Roma e em todas as dioceses do mundo, ao cruzar a Porta Santa, queremos também recordar outra porta que, há cinquenta anos, os Padres do Concílio Vaticano II escancararam ao mundo. Esta efeméride não pode lembrar apenas a riqueza dos documentos emanados, que permitem verificar até aos nossos dias o grande progresso que se realizou na fé. Mas o Concílio foi também, e primariamente, um encontro; um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo. Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário. Era a retomada de um percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive: na sua cidade, na sua casa, no local de trabalho... em qualquer lugar onde houver uma pessoa, a Igreja é chamada a ir lá ter com ela, para lhe levar a alegria do Evangelho e levar a Misericórdia e o perdão de Deus. Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adoptar a misericórdia do bom samaritano."
Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2015/documents/papa-francesco_20151208_giubileo-omelia-apertura.html
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