domingo, 30 de novembro de 2014

Um propósito de Natal


“Vou me escrevendo, vou voltando ao papel, caneta, expresso e luz tênue, vou sentindo que nesse barco ou nesse trem, ou onde melhor lhe convêm, não posso deixar de me recriar todos os dias, sonhando sonhos novos, alcançando sonhos velhos e mudando sonhos que não me levaram a nada.

Opiniões mudam a todo instante, princípios são caminhos eternos, luzes às vezes se escondem nas nuvens, nuvens se dissipam com o calor da luz do Sol interior que vem brotar em mim num advento de sonhos, reconstruções e direções certeiras para o coração daqueles que me cercam.


Aprendi com um tal Papa que a alegria é marca fundamental do meu eu, do meu eu que não é meu, mas nasceu para um tu e para uma vida pautada por recomeços e chances, para um perdão que se faz nada diante da misericórdia do Infinito, e nessa alegria vou sonhando e desejando, que como neste tal evangelho, eu possa surgir para aqueles que me são apresentados e encorajá-los: Alegrem-se.”


Junior Takanage

30.XI.2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

[Da Imortalidade de quem ama]

Caminhamos sem rumo
Na direção de um não sei o que
E sem saber onde chegar.

Luzes e trevas são parte
Mas a pergunta que me faço
É para onde?

Vidas se vão,
Outras começam,
E no fim de tudo...

Amor as vezes se deixa
Cuidados as vezes se perdem
Mas e eu?

Quanto faço?
Quanto amo?
Será que amanhã...

Será que hoje?
Ou nunca mais?
Amar e se perpetuar.

Tantas e tantas o amor
Nada mais é
Ou foi

Hoje só sei
que quero me eternizar
Por quanto amei

E jamais ter
A incerteza
de que poderia

E deixei de amar.

JUNIOR TAKANAGE

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Acaso não ardia nosso coração?



Ando pensando em um mistério que me sobrepassa. Pensava naqueles que alguns dias depois do maior fato histórico do mundo, caminhavam rumo ao seu povoado, tristes, abatidos, conversando sobre o que havia ocorrido, comentando quem sabe suas dores, suas memórias, seus aprendizados, seus sonhos...

Eles levavam uma história vivida, tinham seguramente, em seu coração, um canto de alegria pela grande vivência que lhes foi concedida, mas também um canto fúnebre de dor e falta de esperança, pois aquele que tanto havia anunciado, morrera como mais um, ou até pior, como menos um.

Aquele que lhes havia dado um sentido ao existir, que havia ido ao seu encontro já não estava ali, já não havia um olhar que lhes acalmara, já não havia mais um sonho pelo qual lutar, já não havia um que, um para que, já não havia...

Mas de repente alguém se lhes aproxima! Começa conversar e desentendido que se faz, se apresenta e, espera talvez que eles o reconheçam pelo olhar! Mas a dinâmica estava tão mudada, suas almas, quiças, tão fechadas a uma realidade cruenta presenciadas e inesquecíveis, que não era possível perceber de quem se tratava.

No entanto, se tratava de um bom amigo, alguém que era digno de ao cair a tarde receber o convite para permanecer com eles, pois o caminho se faria perigoso! É, realmente, não haviam reconhecido, mas se permitiram uma chance de vivenciar um pouco mais do que fora aprendido, dando a este homem, “que sabe-se lá quem era”, uma hospitalidade, uma mostra de amor!

E aí se faz toda diferença! Pois eles novamente abrem em sua vida um convívio, ainda que num curto espaço de tempo, onde o partir o pão faz tornar-se notável que ali, quem estava, era aquele que lhes devolvia a esperança aos olhos, os sonhos ao coração e fé de uma vida que valeria pra sempre ser entregue!

Ele se colocou junto deles, caminhou com eles, como podem não havê-lo reconhecido? Afinal, tanto vivenciaram, tanto se olharam, tanto conversaram antes de que tudo passasse... é justamente isso que me sobrepassa! Este mistério que anuncia que muitas vezes, não é a forma com que se fala, ou talvez, não é o simples olhar o que marcamos nos demais. Pode ser que a dinâmica do encontro muitas vezes não funcione nas palavras, mas funcione no partir o pão.


JUNIOR TAKANAGE

quinta-feira, 8 de maio de 2014

[De Versos e Reversos diversos]


De sombras e luzes, de dúvidas e evidências, de sonhos e realidades, de dores e alegrias, de certezas e incertezas, assim vou construindo um caminho que parece não ter fim, conclusões ou ao menos um ponto seguido de uma frase contínua.

Sonhar tantas vezes é complicado quando se instala uma realidade que não te permite criar espaços para buscar os sonhos, mas também é tão complicado viver uma realidade que te oferece sonhos incabíveis em si mesmos.

Novamente a angústia do filósofo se instala e a pergunta por um espaço, ou ao menos um pequeno espaço de eternidade neste mundo infindo de dúvidas e sensações se faz novamente presente.

Não se trata de um até quando, nem mesmo de uma solidão imemorável, trata-se de um espaço que foi preenchido mas que requer tantas e tantas vezes chacoalhar-se e perguntar-se por onde ir!!!

Trata-se de buscas infinitas que possivelmente terminarão ao encontrar o que alguns chamam tesouro, o que outros chamam sonho, o que a moda conclama: um ser que rege a humanidade, trata-se de um infinita busca que se concretiza em um único olhar, em um apego que se faz presente na alma e que nunca abandona, trata-se daquilo que a grande maioria e eu mesmo chamamos DEUS.

JUNIOR TAKANAGE

quarta-feira, 5 de junho de 2013

[Pedaços Perdidos pelo mundo]


"Sempre sonhei com uma vida cheia de viagens para lá e para cá... sem muitos rodeios, sem tanto trabalho! Mas não era uma vida fácil no sentido de alguém que possui dinheiro e por isso pode fazer as viagens que bem entende! Por isso mesmo, sempre me questionei como poderia fazer algo assim: um dia em Londres e outro em Paris... e por aí vai!

Se tratava de um sonho tão interior, tão natural em mim, que dia a dia me esforcei por saber como isso poderia ser assim! Eu sonhava com nutrir minha alma de muitas culturas, de muitas línguas, de muitas raças, sonhava com encher-me de eu mesmo e levar energias positivas por onde caminhasse!

Até que de repente, por estes acasos, e eu não acredito em acasos, que só a vida e Deus entendem, chegou a minhas mãos uma mensagem, por mãos de uma cobradora de ônibus, um papelzinho mesmo, que dizia: "Só viajando encontrará seus pedaços perdidos pelo mundo"! Aquilo, claramente, foi uma confirmação deste sonho que sempre esteve em mim.

Então eu comecei a pensar ainda mais como deveria fazer isso... e o que fiz? O que houve? Viajei para um lugar onde nunca havia estado, um lugar onde outras pessoas jamais iriam estar... comprei passagens para o interior, embarquei e nesta viagem e tantas vezes me perdi e continuei me perdendo, e acho que continuarei, pois os idiomas muitas vezes se confundem, são vários, os caminhos muitas vezes diferem do que eu gostaria traçar, mas no fundo se trata de buscar estes pedaços que, segundo aquela mensagem, estão perdidos pelo mundo.

A viagem foi seguindo, e fui descobrindo, pouco a pouco, que não é preciso ir muito longe quando você pode ir mais profundo. Mas a verdade é que é preciso sim, viajar com pouca bagagem, porque nesta estrada que percorri, tantas pessoas entraram e saíram de minha vida, o ônibus muitas vezes se deteve e algumas subiram, outras desceram, e cada uma deixava um pouco de si, mas no fundo, o único que se mantinha era a beleza de cada um que se eternizava no interior de uma viagem que começou vazia, em busca de pedaços perdidos... pedaços estes que ainda não encontrei totalmente, mas que encontro cada dia, e agradeço por percebe-los, em pessoas que fazem de mim, não uma imitação ou cópia delas mesmas, mas um buscador de uma identidade dada por Deus e que se grava em mim por infindas vivências de amor e dúvidas, com uma única certeza: sem cada companheiro de viagem, sem a viagem de cada um, sem as sinuosidades do caminho, nenhum pedaço seria encontrado, mas todos ficariam presos pelos buracos da estrada.

Por isso, pouco a pouco, as línguas que eu sonhava aprender foram sendo o idioma daqueles que passaram por mim, as culturas são um pouquinho daquilo que cada um conta, canta e dança, e as raças? Ah, as raças me enriqueceram e enriquecem cada dia, mostrando que não existe perfeição quando se trata de seres humanos na individualidade, mas que existe um desejo dela quando se unem todos num caminho que não termina jamais, a não ser quando se sonha, se viaja, se faz um com todos, 'para que todos sejam um'*."


Junior Takanage
05.VI.2012


*João 17;21

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